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Crise hídrica preocupa agronegócio e energia solar pode ser alternativa

Por: Ricardo Casarin - Infosolar



Foto: Banco de imagem



A crise hídrica e seus impactos no setor elétrico preocupam o setor rural. A escassez de água e aumento das tarifas de energia tem elevado os custos de produção e colocado em risco a atividade dos produtores do agronegócio. Uma das principais alternativas para contornar os efeitos da crise está na energia solar fotovoltaica.


A Comissão Nacional de Irrigação da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) está promovendo uma pesquisa em todo o País para dimensionar os efeitos do aumento do custo de energia para os produtores.


“A irrigação representa 20% dos custos. Com as tarifas maiores, isso aumentou muito. Além disso, muitas atividades fazem uso intensivo da energia, como a criação de aves e a produção de leite”, disse ao InfoSolar a assessora técnica da CNA, Jordana Girardello.


De acordo com o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), o Brasil enfrenta maior crise hídrica dos últimos 91 anos, com reservatórios de todas as regiões operando abaixo das médias históricas. Desde dezembro passado, a bandeira tarifária se mantém entre amarela e vermelha, que imputa valores adicionais ao consumo de energia.


Na última terça-feira (31/8), o Ministério de Minas e Energia (MME) anunciou a criação da Bandeira Tarifária “Escassez Hídrica”, o que atribuirá cobrança extra de R$ 14,20 para cada 100 kWh consumido. A decisão representa um reajuste de quase 50% em relação ao atual valor da bandeira vermelha praticado em agosto (9,42/100 kWh).


Girardello disse que a pesquisa da CNA ainda não tem os números consolidados dos impactos desse processo inflacionário, mas indicou que já é possível afirmar que o custo da produção do café aumentou em até 50% em algumas regiões do País, em razão da energia elétrica.


Ela também destacou que as culturas de hortaliças, normalmente desenvolvida por pequenos produtores nos cinturões verdes de regiões urbanas, é um dos segmentos mais afetados.


“Essas culturas precisam ser irrigadas cem por cento do tempo. Normalmente, esse cultivo é feito em propriedades pequenas, sem diversificação. Corre o risco de vermos atividades desativadas por não conseguir pagar os custos de produção”, alertou a especialista.


Solar no campo

Conforme dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a classe de consumo rural totaliza 900 MW de potência instalada na geração solar distribuída (GD). Nos oito primeiros meses de 2021, foram adicionados 291 MW no segmento, aumento de 15% em relação ao mesmo período de 2020.


A CNA observa que, desde o ano passado, há um aumento na procura por sistemas de GD solar por parte do agronegócio. Produtores buscam aumentar autonomia energética, não ficarem reféns dos preços das distribuidoras e terem maior governança sobre os custos da produção.


“O setor apoia o Projeto de Lei (5829/19) que institui um marco legal para a GD, porque traz segurança jurídica para esses investimentos. O Brasil é privilegiado e não precisa depender da água para ter energia, temos a possibilidade do Sol e do vento”, assinalou.

Ele indicou que aplicações bem-sucedidas da GD solar tem ocorrido no campo, com destaque para sistemas de irrigação e produção de leite, atividades intensivas de energia elétrica.


Em julho, o InfoSolar mostrou que a elevação das tarifas e o fim do subsídio para o consumidor rural devem acelerar a expansão da tecnologia fotovoltaica no campo.


“Os produtores vão ter que recorrer a outros meios e a solar pode suprir essa necessidade. Pode ser uma oportunidade da fonte se inserir ainda mais no agro”, disse o diretor da SolarVolt Energia, Gabriel Guimarães Ferreira.


O CEO da Enerzee, Alexandre Sperafico, identificou um grande crescimento na procura pela energia solar no agronegócio desde 2020. “Esse interesse está se fazendo mais expressivo, antes era mais modesto. Noto uma tendência clara do setor buscar essa solução.”


Por: Ricardo Casarin - Infosolar

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